Houve muitas vezes na vida em que ela também foi covarde e não saiu. Seu problema de covardia foi parcialmente resolvido com visitas ao psicólogo. Achou, então, que aquela poderia ser a solução. Levou o texto ao psicólogo.
- Bom dia.
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- Então, você não está tendo coragem para ser o que ela quer que você seja, certo?
...
- Ele não sai, doutor. Fica mudo, mudo, é frustr--
- Com licença, mas seria interessante que o texto falasse.
- Ah. Perdão.
- Pode prosseguir?
E prosseguir o que, se eu nunca comecei nada?
Foi a primeira vez que o texto falou. Um texto quando não fala nem texto é. É rascunho de texto, é hipótese. Mas, a partir do momento que ele abriu a boca, ele se fez texto. E que responsabilidade é ser texto! Um passo mais e já vão lhe cobrar que seja obra-prima! Por isso, ele calou de novo.
Acabou a sessão de análise.